Relação da dispersão dos sinistros de trânsito com a utilização de aplicativos de navegação em Belo Horizonte
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Data
2026-06-18
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Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
Resumo
O presente trabalho investiga a relação entre a utilização dos aplicativos de navegação por GPS e a dispersão espacial dos sinistros de trânsito em Belo Horizonte entre os anos de 2012 e 2024. A justificativa do estudo baseia-se na premissa de que, embora essas tecnologias otimizem o tempo de viagem, elas frequentemente desviam o fluxo de veículos de vias arteriais — projetadas para alto tráfego — para vias locais e coletoras de menor hierarquia viária, o que pode criar novas zonas de conflito e dificultar o alcance de metas globais de segurança viária. O objetivo geral da pesquisa foi avaliar se essa mudança no comportamento dos motoristas gerou uma redistribuição dos sinistros pela malha urbana, enquanto os objetivos específicos buscaram estabelecer uma cronologia do uso de aplicativos e analisar o deslocamento dos pontos críticos. A metodologia envolveu o levantamento de 104.328 registros brutos da Prefeitura de Belo Horizonte, resultando em 93.013 casos válidos, analisados por meio da técnica estatística de Densidade de Kernel no software QGIS para identificar padrões de concentração em períodos distintos: antes, durante a inserção e após a consolidação tecnológica. Os resultados demonstraram que, apesar do crescimento da frota de veículos a uma taxa de 5,2% ao ano, o número total de sinistros apresentou uma leve redução (-0,4%), porém com uma mudança qualitativa na sua localização. Nos anos de 2012 e 2013, os sinistros concentravam-se em grandes eixos como as avenidas Amazonas e Cristiano Machado, mas a partir de 2015 observou-se uma dispersão para vias secundárias, como a Rua Ministro Oliveira Salazar e a Avenida Bernardo de Vasconcelos. Simulações realizadas no Google Maps confirmaram que essas vias são sugeridas pelos algoritmos como alternativas competitivas em horários de pico. A conclusão ratifica a hipótese de que o uso de aplicativos de navegação contribuiu para a descentralização dos pontos críticos, transferindo o risco para ambientes originalmente residenciais, e recomenda que órgãos de trânsito passem a registrar o uso de GPS nos boletins de ocorrência para
fortalecer futuras evidências estatísticas.
Descrição
Palavras-chave
Engenharia de transportes, Acidentes de trânsito, Automóveis - Sistemas de navegação, Análise espacial (Estatística), Segurança no trânsito