"E se eu ficasse eterna?": um itinerário de reescrituras das obras e das imagens públicas de Hilda Hilst ou um catálogo de edições

dc.contributor.advisorMoreira, Paula Renata Melo
dc.contributor.advisorLatteshttp://lattes.cnpq.br/4855128131146760
dc.contributor.authorIrias, Taynara do Nascimento
dc.contributor.authorLatteshttp://lattes.cnpq.br/4147844019487487
dc.contributor.refereeMoreira, Paula Renata Melo
dc.contributor.refereeMoraes, Eliane Robert
dc.contributor.refereeMuniz Junior, José de Souza
dc.contributor.refereeMaia, Cláudia Cristina
dc.date.accessioned2026-06-16T21:17:21Z
dc.date.available2026-06-16T21:17:21Z
dc.date.issued2023-09-21
dc.description.abstractTendo em vista a transgressão das obras e da trajetória pessoal da escritora paulista Hilda Hilst (1930- 2004), este trabalho discute sobre como se deram as reescrituras das obras e das imagens públicas da autora no campo literário brasileiro, via edição. Para tanto, amparamo-nos na perspectiva de André Lefevere (2007) de que os processos de edição são eficientes mecanismos de reescrituras, as quais são muitas vezes motivadas por questões pessoais, ideológicas e/ou mercadológicas. Nossa metodologia envolveu o mapeamento e análise de todas as edições dos livros impressos de autoria exclusiva de Hilst publicados a partir de 1950, quando Hilda lançou o seu primeiro livro, até as reedições de 2021. Entre primeiras edições, reedições e traduções/publicações no exterior, nosso corpus englobou cento e cinco volumes. Como estratégia metodológica, essas edições foram agrupadas e analisadas a partir do que identificamos como quatro grandes períodos de reescrituras das obras e imagens públicas de Hilst: entre 1950 e 1989; entre 1990 e 2000; nos anos 2000; e de 2010 até 2021. Buscamos, nos dois primeiros períodos, identificar a influência das motivações pessoais da própria escritora nas escolhas editoriais de seus livros para, nos seguintes, contrastarmos as reedições a esses cenários. A averiguação foi embasada nos paratextos das edições, conforme Gérard Genette (2009), tendo como foco os peritextos, mas também utilizando os epitextos (como entrevistas, correspondências etc.) em busca de diversas evidências. A partir desses elementos, buscamos assinalar as principais motivações das reescrituras, visualizando como as imagens e o acervo de Hilst foram apropriados segundo diferentes regras, considerando também as lógicas dos campos literário e editorial, principalmente a partir de Pierre Bourdieu (1996a; 1996b; 2003; 2004; 2018a; 2018b) e José Muniz Jr. (2012; 2019). Adicionalmente, para analisarmos as primeiras edições dos livros, também nos embasamos nas discussões sobre as mulheres nos campos literário e de edição, conforme Regina Dalcastagnè (2012; 2021), Constância Lima Duarte (2017; 2019; 2020), Ana Elisa Ribeiro (2020a; 2021; 2022), Luciana Borges (2013), dentre outras, junto às reflexões sobre violência simbólica, conforme Bourdieu (2012), violência editorial de gênero, segundo Micheliny Verunschk (2017), e práxis feminista, conforme Marta Simó-Comas (2019). Em nossas averiguações, verificamos que, nos dois primeiros períodos, as reescrituras das obras e das imagens públicas de Hilst foram muito influenciadas pela escritora, sendo que, especialmente nas edições publicadas pela Massao Ohno Editor, há uma abordagem mais transgressora que nas demais. Nos outros períodos, predominam reescrituras motivadas por questões ideológicas e/ou mercadológicas. Assim, concluímos que as reescrituras das obras e das imagens de Hilst via edição foram impactadas, além de pela autora, seu(s) herdeiro(s) (destacando-se Daniel Fuentes) e outros agentes (salientando-se Alcir Pécora), pela atuação das editoras de forma mais próxima ao polo simbólico ou ao econômico, o que influenciou nas escolhas adotadas não só em relação a quais livros foram (re)editados, mas na forma como as (re)edições se deram. Por fim, este trabalho também é composto por um Catálogo de Edições, apresentado no Apêndice A, no qual constam informações mais detalhadas e fotografias das edições dos livros estudados em nosso corpus.
dc.description.abstractotherThis dissertation delves into the rewritings of the works and public images of São Paulo writer Hilda Hilst (1930-2004) within the Brazilian literary field through editorial processes. Considering the author's transgression, it explores how the rewritings of Hilst's works and public images occurred via various editions. Drawing from André Lefevere's perspective (2007) that editing processes serve as potent mechanisms for rewriting, often influenced by personal, ideological, and market-driven factors, this study examines printed books exclusively authored by Hilst, spanning from her initial publication in 1950 to reissues as recent as 2021. Our methodology involved comprehensive mapping and analysis of a corpus comprising one hundred and five volumes, including first editions, reissues, and international translations/publications. These editions were grouped and analyzed based on what we identified as four major periods of rewriting of Hilst's works and public images: between 1950 and 1989; between 1990 and 2000; in the 2000s; and from 2010 to 2021. The initial focus was on discerning the influence of the author's personal motivations on editorial choices during the first two periods, which formed a backdrop against which subsequent reissues were contrasted. The investigation was based on the editions' paratexts, according to Gérard Genette (2009), focusing on the books' peritexts, but also using epitexts (such as interviews, correspondence etc.) in search of valuable evidence. By drawing on these elements, we seek to point out the main motivations behind the rewritings, visualizing how Hilst's collection and her images were appropriated according to different rules, also considering the logic of the literary and editorial fields, mainly regarding Pierre Bourdieu (1996a; 1996b; 2003; 2004; 2018a; 2018b) and José Muniz Jr. (2012; 2019). Additionally, to analyze the books' first editions, we utilized discussions about women in the literary and publishing fields, according to Regina Dalcastagnè (2012; 2021), Constância Lima Duarte (2017; 2019; 2020), Ana Elisa Ribeiro (2020a; 2021; 2022), Luciana Borges (2013), among others, as well the reflections on symbolic violence, according to Bourdieu (2012), editorial gender violence, according to Micheliny Verunschk (2017), and feminist praxis, according to Marta Simó-Comas (2019). Our investigations revealed that in the two initial periods under scrutiny, Hilst's works and public images were significantly influenced by the writer herself. Particularly noteworthy were the editions published by Massao Ohno Editor, marked by a more transgressive approach compared to others. Subsequent periods saw recontextualizations driven predominantly by ideological and/or market factors. Consequently, we conclude that the reshaping of Hilst's works and images through editing was impacted not only by the author, her heir(s) (particularly Daniel Fuentes) and other agents (particularly Alcir Pécora) but also significantly by the publishers' actions, closer to either the symbolic or economic spectrum, which influenced not only the specific choices of the books to be (re)edited, but also the way the (re)editing took place. Finally, this work also includes a Catalog of Editions, presented in Appendix A, featuring comprehensive information and photographs of the editions studied in our corpus.
dc.identifier.urihttps://repositorio.cefetmg.br//handle/123456789/2743
dc.language.isopt
dc.publisherCentro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
dc.publisher.countryBrasil
dc.publisher.initialsCEFET-MG
dc.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens
dc.subjectHilst , Hilda, 1930-2004 - Publicações - Crítica, interpretação, etc.
dc.subjectEditores e publicações de livros
dc.subjectOpinião pública
dc.subjectTransgressão
dc.title"E se eu ficasse eterna?": um itinerário de reescrituras das obras e das imagens públicas de Hilda Hilst ou um catálogo de edições
dc.typeDissertação

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