Narrativas de vida publicadas na Sou Mais Eu!: os discursos de superação como lições de sucesso divulgados pela mídia para as classes C, D E
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Data
2023-12-12
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Editor
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
Resumo
Esta Tese de Doutorado, fundada na adoção de procedimentos metodológicos provenientes da Semiolinguística, tem como objetivo investigar como a mídia se comportou, durante os anos de 2006 a 2016, no período caracterizado por fenômeno conhecido como "midiatização da nova classe média". O tema polêmico foi utilizado para se referir à ampliação da oferta de programas de televisão, rádio e da criação de jornais e revistas voltados às classes C, D e E que tinham ganhado poder aquisitivo graças à implementação de várias políticas sociais implantadas em nível nacional. A fim de atraírem a atenção desses segmentos, configurados como importantes consumidores, às instâncias midiáticas e às de produção, ou grandes patrocinadores dos meios de comunicação tentaram atrair este público. Nesse contexto, elegeu-se como corpus desta pesquisa a revista Sou mais Eu!, criada pela Editora Abril e identificada como pioneira no Brasil ao subverter técnicas classificáveis como pilares do Jornalismo tradicional. Além de moldarem como notícias as narrativas de vida de leitores anônimos, conteúdos baseados em fatos pretéritos, tais histórias ainda foram compradas dos leitores. Coube à publicação, contudo, definir quais os tópicos poderiam ser publicados. Esse arranjo transformou homens e mulheres desconhecidos em celebridades anônimas ou Narcisos às avessas; destacando suas ações mais estranhas, quase bizarras ou condenáveis. Tal circunstância originou o objetivo geral desta pesquisa: identificar quais ethé e imaginários sociodiscursivos Sou mais Eu! produziu de si própria e de seus leitores.? Ainda se partindo dessa premissa, também se elegeu como objetivos específicos à necessidade de se aferir se a revista ao publicar fragmentos biográficos dos leitores teria servido como "espaço de escuta" destes leitores que, ao contar suas histórias, teria garantido a estes a chance de expor o modus vivendi, a partir do "lugar de fala". A análise da revista, contudo, não verificou tal hipótese. .Nesse contexto, ao contrário dos Olimpianos, as celebridades de Sou mais Eu! se constituíram como Orumayês. Desse modo, tal qual os Orixás, os desconhecidos das classes mais pobres, ao supostamente, se tornarem estrelas anônimas usaram deste sincretismo, para fazer da revista uma fronteira entre o Orum (céu) e o Ayê (terra). Assim, vez por outra, discretamente, esses invisíveis, expunham seus pontos de vista, modus vivendi, seus poderes, fazendo de Sou mais Eu!, ao seu modo, um "lugar de escuta".
Descrição
Palavras-chave
Narrativas pessoais, Autoimagem, Ethos, Revistas, Análise do discurso