Encruzilhadas da diáspora: memória, subjetividade e a escrita de si em Mahommah Gardo Baquaqua

dc.contributor.advisorOliveira, Luiz Henrique Silva de
dc.contributor.advisorLatteshttp://lattes.cnpq.br/2031878470909116
dc.contributor.authorMesquita, Isabela Cristina Silva
dc.contributor.authorLatteshttp://lattes.cnpq.br/8461932347750696
dc.contributor.refereeOliveira, Luiz Henrique Silva de
dc.contributor.refereeLessa, Claudio Humberto
dc.contributor.refereeRodrigues, Felipe Fanuel Xavier
dc.date.accessioned2026-06-02T19:36:59Z
dc.date.available2026-06-02T19:36:59Z
dc.date.issued2025-06-12
dc.description.abstractEste trabalho propõe uma leitura da autobiografia de Mahommah Gardo Baquaqua a partir das categorias teóricas da memória, da escrita de si e da subjetividade, com o objetivo de refletir sobre os modos de enunciação do sujeito escravizado em sua própria narrativa. Publicada originalmente em 1854 e organizada na edição de 2001 por Robin Law e Paul Lovejoy, a obra de Baquaqua é a única narrativa autobiográfica conhecida de alguém que viveu a experiência do cativeiro tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, oferecendo um testemunho singular da diáspora africana. A análise considera a escrita autobiográfica como uma prática discursiva de inscrição da experiência no texto, conforme os estudos de Lejeune (2008) e Arfuch (2010), observando como Baquaqua articula memória individual e coletiva para reconstruir sua trajetória como homem livre, escravizado e posteriormente livre. A obra é compreendida como parte do corpus das Slave Narratives, gênero literário e político que denuncia os horrores da escravidão e afirma a agência dos sujeitos negros na construção de suas histórias. O estudo evidencia que Baquaqua recorre a estratégias de autorrepresentação que tensionam noções de identidade estável, revelando-se como sujeito múltiplo, híbrido e em constante negociação, aspectos que dialogam com os conceitos de identidade performática (Bhabha, 1998) e máscaras sociais (Fanon, 2008). Ao rememorar suas origens africanas e os traumas do cativeiro, o autor inscreve sua subjetividade num espaço ambíguo entre a dor, a resistência e a reinvenção de si, mobilizando a escrita como instrumento de memória e afirmação. Assim, a autobiografia de Baquaqua não apenas contribui para a preservação da história dos africanos escravizados, mas também fornece elementos para repensar a literatura de testemunho e o papel da memória na constituição das identidades negras na diáspora.
dc.description.abstractotherThis work proposes a reading of Mahommah Gardo Baquaqua's autobiography based on the theoretical categories of memory, self-writing and subjectivity, with the aim of reflecting on the enslaved subject's modes of enunciation in his own narrative. Originally published in 1854 and organized in the 2001 edition by Robin Law and Paul Lovejoy, Baquaqua's work is the only known autobiographical narrative by someone who lived through captivity in both Brazil and the United States, offering a unique testimony to the African diaspora. The analysis considers autobiographical writing as a discursive practice of inscribing experience in the text, according to the studies of Lejeune (2008) and Arfuch (2010), observing how Baquaqua articulates individual and collective memory to reconstruct his trajectory as a free man, enslaved and later free. The work is understood as part of the corpus of Slave Narratives, a literary and political genre that denounces the horrors of slavery and affirms the agency of black subjects in the construction of their histories. The study shows that Baquaqua uses strategies of self-representation that strain notions of stable identity, revealing himself as a multiple, hybrid subject in constant negotiation, aspects that dialog with the concepts of performative identity (Bhabha, 1998) and social masks (Fanon, 2008). By recalling his African origins and the traumas of captivity, the author inscribes his subjectivity in an ambiguous space between pain, resistance and the reinvention of the self, mobilizing writing as an instrument of memory and affirmation. Thus, Baquaqua's autobiography not only contributes to the preservation of the history of enslaved Africans, but also provides elements for rethinking the literature of testimony and the role of memory in the constitution of black identities in the diaspora.
dc.identifier.urihttps://repositorio.cefetmg.br//handle/123456789/2723
dc.language.isopt
dc.publisherCentro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
dc.publisher.countryBrasil
dc.publisher.initialsCEFET-MG
dc.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens
dc.subjectBaquaqua, Mahommah Gardo, 1824-
dc.subjectIdentidade
dc.subjectPessoas escravizadas - Narrativas pessoais
dc.subjectMemória
dc.titleEncruzilhadas da diáspora: memória, subjetividade e a escrita de si em Mahommah Gardo Baquaqua
dc.typeDissertação

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